segunda-feira, dezembro 18, 2006

Despedida!

Como sabem, o semestre está a terminar. Termina, também, o nosso trabalho aqui neste blogue, dedicado à cadeira de Públicos e Audiências. De modo a despedirmo-nos de todos aqueles que por aqui nos têm acompanhado ao longo do semestre, deixamos um último vídeo, no qual procuramos fazer o balanço do que aprendemos.

Aqui fica, então!



Bom Natal!! E até à próxima!

"Teorias da comunicação de massas", Dennis Mcquail

  • Conceito de Audiência

Consiste numa colectividade de receptores no processo de comunicação de massas. É utilizado no campo de investigação dos media. A audiência não é, geralmente, observável: não tem espaço real, tem um carácter abstracto, é uma realidade diversa e em mudança.
As audiências são produto social e resposta a um padrão dos media. Podem ser definidas de várias formas: através do local, pelas pessoas, devido ao tipo de canal/meio, conteúdo da mensagem e tempo.

  • Origens da Audiência

As origens das audiências estão no público de teatro, espectáculos e jogos. As noções passadas referem um ajustamento físico, a um lugar comum. Algumas das características que ainda permanecem são: a organização da visão/audição/ desempenhos, acontecimentos com carácter publico e secular, actos individuais de escolha, especialização de papéis (de autores, actores e espectadores).
A audiência contemporânea difere pela sua dispersão, individualização e privatização.

  • Da Massa ao Mercado

De acordo com Herbert Blumer, a audiência mediática surgiu da mudança social. Esta audiência é dispersa e os seus membros não se conheciam.
A comunicação de massas era heterogénea/dispersa, apresentando uma comunicação unilateral. O termo “massa”era considerado prejorativo.

  • Redescoberta da audiência como grupo

A experiência da audiência é pessoal. Muitos media inserem-se em ambientes locais e culturas. A interação gerada desenvolve-se à volta do uso dos media no quotidiano. Estes actuam como presença amiga.
Nos anos 40/50, a investigação debruçou-se sobre a “redescoberta do grupo”. As audiências mostraram ser compostas por várias redes de relações sociais baseadas na localidade e em interesses comuns.

  • Audiência como mercado

A audiência de rádio e televisão rapidamente se tornou um mercado para o consumo, com serviços e produtos: o chamado mercado mediático. Na formação da audiência enquanto mercado, os membros são consumidores individuais, as fronteiras baseiam-se em critérios económicos, os membros não se relacionam nem partilham uma identidade, e a sua formação é temporária.

  • Perspectivas críticas

A percepção de audiência é influenciada pelos media negativamente. A maior parte do entretenimento popular é conotada como inferior. O sistema de tv comercial e imprensa baseia-se na extracção de mais valias de uma audiência economicamente explorada. Os media necessitam das audiências. Os “índices de audiência” servem para enclausurar uma prática como construção singular.

  • Finalidades da investigação sobre audiências

Estas são variadas e as suas características gerais ajudam a construir, localizar uma identidade social. A pesquisa de audiência tem por objectivo: contabilizar vendas, medir o potencial para fins publicitários, manipular o comportamento de escolha de audiência, melhorar eficácia de comunicação; pretende ainda ir ao encontro das responsabilidades para servir as audiências e avaliar os media.

  • Audiência: grupo social (público) ou massa de indivíduos isolados

Quanto mais uma audiência for vista como agregado de indivíduos isolados (ou mercado de consumidores), tanto mais pode ser considerada como massa.

  • Grau de «actividade» ou «passividade», que pode ser atribuído à audiência

Sempre houve uma tendência de considerar o uso activo dos media como «preferível» ao passivo. Actos individuais de escolha dos media, de atenção e resposta, podem também ser activos, em termos do grau de motivação, atenção, envolvimento, prazer, resposta crítica ou criativa, ligação ao resto da vida, etc.

  • Implicações das novas tecnologias dos media – o futuro dos media

Há a visão de que as audiências se tornem cada vez mais fragmentadas e percam a sua identidade nacional, local ou cultural. Existirá também uma crescente distância entre ricos e pobres, quanto aos media. Por outro lado, poderão existir mais opções para formação da audiência disponíveis para mais pessoas, bem como maior liberdade e diversidade de comunicação e recepção.

  • Adiência como grupo ou público

O exemplo mais comum é o conjunto de leitores de um jornal local. Aqui, a audiência partilha pelo menos uma característica de identificação social e cultural.
Muitas das novas tecnologias ajudaram a promover as audiências de grupo. A televisão por cabo contribuiu para desafiar a emissão de massas e, actualmente, a Internet e a World Wide Web promovem novos tipos de audiências parecidas com grupos.

  • Audiência como «conjunto de gratificações»

As audiências têm fortes possibilidades de se formarem com base em certos interesses, necessidades ou preferências relacionados com os media. A audiência como público tem uma vasta gama de necessidades e interesses que derivam de características sociais partilhadas, o «conjunto de gratificações».

  • Audiência do meio

Este conceito de audiência é identificado pela escolha de um tipo particular de meio. Cada meio – jornal, revista, cinema, rádio, televisão, disco – teve de estabelecer um novo conjunto de consumidores ou adeptos. Este tipo de audiência está próximo da ideia de «audiência de massas: é grande, dispersa e heterogénea, sem organização interna nem estrutura.

  • Actividade da audiência

Sempre houve controvérsia sobre como apreciar a actividade da audiência típica dos media, bem como sobre o que quer dizer essa actividade.
Biocca propõe cinco versões diferentes de actividade de audiência:

  • Selectividade
  • Utilitarismo
  • Resistência à influência
  • Envolvimento

"Subcultura. El significado del estilo", Dick Hebdige (Texto 15 da Sebenta)

Este texto centra-se num estudo acerca de subcultura, mais especificamente, de que forma este estilo comunica e como o faz.
Dentro da própria cultura, podem existir grupos que se distinguem por serem diferentes.

Roland Barthes contrapõe imagem publicitária «intencional» a fotografia de imprensa «inocente». Ambas são articulações de códigos e práticas especificas. Contudo, a fotografia de imprensa é mais “natural” e transparente que o anúncio, considera o referido autor.

A comunicação intencional atrai a atenção sobre si; os conjuntos visuais são, obviamente, fabricados, proclamando os seus próprios códigos e demonstrando que estes existem para serem usados. As leis da “segunda natureza do homem” são, então, desafiadas.

A comunicação de uma diferença significante é a chave oculta por trás do estilo de todas as subculturas espectaculares.

domingo, dezembro 17, 2006

Media: ranking dos filmes mais vistos de Janeiro a Novembro de 2006

Vale a pena conferir a página do ICAM referente ao ranking dos filmes mais vistos, desde o mês de Janeiro ao de Novembro.

Assim, de acordo com estes dados, o filme mais visto ao longo do presente ano foi "O Código DaVinci", de Ron Howard. Este filme contou com 753.399 espectadores.

Em segundo lugar nesta lista, encontramos a sequela de "Piratas das Caraíbas", de Gore Verbinski, que levou 634,586 espectadores às salas de cinema.

Desta lista, constam cinquenta películas. Pensamos ter interesse percorrer os títulos que dela constam, no sentido em que poderemos comparar os géneros predominantes com aqueles que foram referidos ao longo da apresentação do nosso trabalho empírico, em aula (ver vídeo, colocado no dia 12 de Dezembro).

A informação na qual se baseia este post pode ser encontrada em:

Percorrendo o site do ICAM, é possivel encontrar mais informações com interesse. Alguns dos dados aí apresentados foram-nos úteis na realização do nosso trabalho.

Resumo de Aula Teórica: Públicos de Televisão, em Daniel Dayan

Na sua obra Televisão: das Audiências aos Públicos, Daniel Dayan levanta uma questão central, acerca do melhor conceito a aplicar aos espectadores de televisão (públicos ou audiências).

Chama-se a atenção para as definições de conceitos anteriormente dadas nesta cadeira. Daniel Dayan introduz, então, um conceito novo: o de “quase público”. Este possui três características centrais:
  • Existência fugaz
  • Temporalidade
  • Presença intersticial

Tal conceito é aplicado (sobretudo) em tv, uma vez que o público tem uma existência duradoura, o que, neste meio, não acontece.

Podemos, então, falar em três tipos de público:

  • Público político
  • Fãs
  • Públicos de gosto

Dayan apoia-se, também, numa definição de público quase filosófica, do autor Pierre Sorlin. Este define seis características de público:

  • Público como um meio
  • Capacidade de deliberação interna
  • Capacidade de performance
  • Defesa de valores/gostos
  • Exigência dos gostos
  • Forma reflexiva

O quase público só passará a público em determinadas (e raras) situações, tais como a manifestação pública da sua posição, através da entrada em determinado grupo.

Assim, em Dayan, a noção de quase público “ilumina” a nova definição de público, que consiste nas seguintes caregorias:

  • Públicos de fãs
  • Públicos da tv cerimonial / dos mega – eventos
  • Públicos de elites dos media europeus
  • Media de imigração

quinta-feira, dezembro 14, 2006

"Piercing a Ciberkilt: Media fans in an electronic community", S. Elizabeth Bird (texto 14 da sebenta)

  • Ao usarmos os media, fazemos selecções. Frequentemente, tornamo-nos fãs de algo (uma série, uma banda, entre outros). Assim, é necessário procurar entender o que é ser-se fã.
  • Frequentemente, fãs são entendidos como obcecados por algo, excessivos. Surge, também, uma nova “forma de ser-se fã”: o meio virtual e todas as suas potencialidades.
  • Para estudar este fenómeno dos fãs (fandom), o autor reflecte sobre uma comunidade virtual (a “DQMW-L”) tirando posteriormente as suas conclusões.
  • A experiência de ser-se fã é diferente através da Internet, uma vez que se torna mais individualizada. Surgem, também, novas actividades online, potenciadas por uma maior rapidez na comunicação. Há, portanto, que conhecer as potencialidades e os limites das comunidades online.

A comunidade virtual

Muitos afirmam que a Internet destrói as necessidades de espaço e tempo numa comunidade. A participação é fragmentada e isolada. Contudo, há que ver que esta nova ferramenta de comunicação tem muitas potencialidades. As comunidades virtuais não são simples chats, indo muito para além disso. Manter uma comunidade exige trabalho: não se limita à ligação virtual. Estas novas comunidades fornecem um sentimento de pertença, respondendo a algumas das necessidades dos indivíduos.
No seio destas comunidades, existem também regras (códigos de conduta, regras de civilidade, proibições), de forma a criar-se uma sensação de estrutura e continuidade.
A palavra escrita é a única forma de comunicação, pelo que deve ser usada adequadamente.
O autor verifica, também, que a forma de discutir ideias difere conforme o sexo do utilizador, sendo os homens tendencialmente mais acertivos.
A Internet potencia, ainda, a exploração de mundos imaginários, sem, no entanto, “desligar” os utilizadores da realidade: criam-se universos paralelos, de escape.

Principais conclusões

As comunidades virtuais potenciam novos tipos de comunicação interpessoal, ligando uma grande diversidade de pessoas, com uma característica comum: serem fãs de algo. Assim, a Internet é uma forma de enriquecimento das vidas dos indivíduos, quando usada apropriadamente. As comunidades virtuais são uma nova forma de ser-se fã e partilhá-lo com outrem.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Media: notícias de cinema

Tendo em conta que o nosso blogue tem, como tema principal, o cinema, consideramos pertinente incluir, também, determinadas notícias de cinema que consideremos relevantes. Deste modo, no jornal "Público" de dia 12/12/06, surge a seguinte notícia (ver http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1279440):

Filme "Coisa Ruim"
Afonso Pimentel representa Portugal no Shooting Stars de 2007
12.12.2006 - 17h35 Lusa

  • "O actor Afonso Pimentel vai representar Portugal na 10ª edição do Shooting Stars, que decorrerá em Fevereiro no Festival Internacional de Cinema de Berlim, anunciou hoje o Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM).
    Protagonista do filme "Coisa Ruim", de Tiago Guedes e Frederico Serra, Afonso Pimentel integra a edição 2007 do Shooting Stars juntamente com outros 25 actores europeus.
    O Shooting Stars é uma iniciativa do European Film Promotion destinado a revelar novos actores e decorrerá de 10 a 12 de Fevereiro, durante o 57º Festival Internacional de Cinema de Berlim.
    Afonso Pimentel, 24 anos, estreou-se no cinema em 1996, no filme "Adeus Pai", de Luís Filipe Rocha. "20,13", de Joaquim Leitão, que estreia no próximo dia 20, é o seu mais recente filme.
    A par do cinema, o actor ficou conhecido pelas interpretações em séries televisivas como "Ana e os Sete" e "Morangos com Açúcar", ambas exibidas na TVI , e em "Floribella", actualmente em exibição na SIC.
    Nuno Lopes, Carla Bolito e Marisa Cruz são três outros actores portugueses que integraram edições anteriores do Shooting Stars."
A mesma notícia surge, também, destacada no site do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM - http://www.icam.pt/ ).
A título de curiosidade, acrescentamos que Afonso Pimentel frequentou o Curso de Comunicação Social e Cultural da UCP, tendo-se licenciado recentemente.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Media: audiências de televisão

De acordo com o jornal diário "Destak", o canal televisivo AXN é agora líder de audiências dos canais por cabo. Segundo dados relativos ao mês de Novembro, fornecidos pela Marktest, o AXN atingiu um share de 3,6%, o que se traduz em 22 700 espectadores. Estes números deixam o AXN em competição directa com os canais generalistas.
Seguidamente, colocamos a notícia publicada pelo Destak (12/12/06).

AXN VOLTA A BATER RECORDE DE AUDIÊNCIAS

Segundo os últimos dados de Novembro fornecidos pela Marktest, o AXN é o líder absoluto de audiências entre os canais por assinatura, com um share de 3,6%, ou seja, 22 700 espectadores, ficando apenas atrás dos canais generalistas TVI, SIC e RTP1.

Actualizações: Apresentação do Trabalho Empírico em aula

Como sabem, a fase final do trabalho empírico consistiu na apresentação, em aula, dos resultados obtidos. De forma a concluir, também aqui no nosso blogue, as etapas de elaboração do trabalho da cadeira de Públicos e Audiências, colocamos aqui um breve resumo da nossa apresentação, filmado em aula. Colocámos apenas os excertos que considerámos mais importantes, ainda que, a nosso ver, seja perceptível o conteúdo que pretendemos transmitir. Aqui está o resultado!



Nota: Um grande obrigada, da parte de todos os elementos do grupo, ao João Vieira, que amavelmente se disponibilizou para filmar este vídeo!

sábado, dezembro 09, 2006

"The new producers", Chris Anderson (texto 13 da sebenta)

Devido às consequências de um acontecimento de cariz astronómico que ocorreu a 23 de Fevereiro de 1987, pode falar-se da chegada de uma nova era: uma na qual profissionais e amadores trabalham juntos. Isto torna-se possível, em grande parte, graças ao uso da Internet enquanto meio de partilha de informações. Esta nova era traz inúmeras vantagens e também algumas questões.
O conceito por detrás da nova era, a iniciativa individual, não é, contudo, novidade. Podemos citar inúmeras referências, tais como Karl Marx, que fala na democratização dos meios de produção. Tal democratização revoluciona os mais diversos campos de actividade, desde o cinema à música e mesmo à literatura (nomeadamente, através da blogosfera).

A principal consequência desta alteração é a passagem de consumidores passivos a produtores activos; estes produzem conteúdos, sobretudo, por gosto (daí o termo “amador”, do latim amator). Com acesso à Internet, cada indivíduo passa a ter ao seu alcance as ferramentas necessárias para se tornar criador.


O maior exemplo recente deste fenómeno é a Wikipédia. O termo “wiki” deriva da palavra havaiana, significando “rápido”. A Wikipédia permite que qualquer utilizador da Internet leve a cabo uma pesquisa, podendo, também, editar o conhecimento por ela disponibilizado. Desta forma, é criada uma gigantesca enciclopédia, disponível online Devido à sua componente inovadora, a Wikipiédia está no centro de grande controvérsia. Esta advém, sobretudo, do facto de se contar com a contribuição de privados não ser a forma habitual de criar enciclopédias, estando a sua elaboração a cargo de indivíduos prestigiados. Em lugar disto, a Wikipédia conta com a self-organizarion. Sendo uma ideia que data de 2001, já em 2005 atingira um enorme sucesso. Este advém, sobretudo, da facilidade a ela aceder. Por outro lado, uma vez que todos podem contribuir, acrescentando ou alterando entradas, praticamente todos os temas são objecto de atenção.

  • Conteúdos: fonte de debate

Há casos em que são detectados erros nas entradas da Wikipédia. Estes lançaram um enorme debate acerca da sua fiablididade. A resposta a tal debate é complexa. Se, por um lado, queremos acreditar no que lemos, sabemos que, na Wikipédia, não há alguém que controle os seus conteúdos: são os indivíduos que o fazem. Há,no entanto, quem defenda que esta forma de controlo é realmente produtiva: um erro detectado pode ser facilmente corrigido, o que não acontece numa enciclopédia tradicional. Esta auto-protecção é, portanto, apontada como uma vantagem.

Por outro lado, a quantidade de entradas na Wikipédia é muitíssimo maior que em qualquer outra enciclopédia. Isto torna-a a mas completa enciclopédia que alguma vez existiu. É, também, permanentemente actualizada, pelos seus milhares de utilizadores.

Assim, embora com notórias diferenças de enciclopédias usuais, que geram uma enorme controvérsia, a Wikipédia é a prova de que, tendo as ferramentas disponíveis, todos podemos ser produtores.

  • Conteúdos: fonte de debate

Com custos de distribuição e de produção muito baixos, devido à democratização das novas tecnologias, existem vários motivos que levam os indivíduos a ser produtores. Entre eles, destaca-se a reputação. Esta poderá, futuramente, repercutir-se em formas de pagamento e/ou de lucro mais concretas.

  • O self-publishing

Devido à facilidade em criar e distribuir mensagens e conteúdos, há um número crescente de indivíduos que procuram publicar os seus conteúdos. Por exemplo, um escritor poderá ver a sua obra publicada graças ao site Lulu.com. na Coreia do Sul, o trabalho dos jornalistas é ajudado por privados, que lhes enviam notícias de todos os géneros.

Com esta diversidade de insentivos, os indivíduos procuram, cada vez mais, ser ciradores, em lugar de apenas consumidores. A própria indústria do entretenimento poderá beneficiar com esta nova tendência.

Assim, a divisão entre consumidores e produtores está cada vez mais ténue. O consumidor é, também, produtor. Assim se gera a nova “arquitectura de participação”, na qual a democratização dos meios de produção é fundamental.

domingo, novembro 26, 2006

Resumo de Aula Teórica: Audiências de Televisão - A Telenovela

De acordo com a autora Christine Geraghy, podem ser feitos quatro tipos de estudos sobre televisão:

  • Texto/programa específico: os públicos são estudados de acordo com uma audiência seccionada (ex: trabalho de Verónica Policarpo, Viver a Telenovela)
  • Tipo de espectadores: estudam-se variáveis como o sexo, a idade, local de residência, entre outras
  • Contexto de visualização: tem importância, uma vez que, exteriormente, reagimos de forma distinta em contextos diferentes (ex: Euro 2004 – ver um jogo em casa ou em locais públicos)
  • Contexto tecnológico: o espectador que apenas tem televisão em casa é diferente do que tem mais recursos; se nos cingirmos a um meio de comunicação, o que este diz “é a verdade”

Este tipo de estudos é de ordem qualitativa, dando conta de como se vê televisão.

Modos de ver televisão

  • Ouvir televisão: tv como ruído de fundo, até algo específico captar a nossa atenção.
  • Ver televisão: o indivíduo vê, mas pode, simultaneamente, fazer outras coisas.

A Telenovela

Uma telenovela tende a estruturar-se em torno de valores culturais existentes em determinada cultura. Assim, é sempre composta por dois elementos: entretenimento e drama.

Verifica-se, então, um duplo movimento:

  • Recepção: a novela procura responder à pressão social de novos modelos sociais
  • Produção: esta faz a projecção do que pode agradar à sociedade.

Para além deste duplo movimento, a autora Irene Mejier identifica 8 elementos fundamentais para o sucesso da novela: valores; diversidade/paleta; representação igual; potencial dramático; género; credibilidade; disponibilidade; consciência social.

Datas importantes na história da telenovela em Portugal

1977:
começa a ser emitida a novela “Gabriela", tendo sido um enorme sucesso.
Para o compreender, há que desfazer a ideia de que a telenovela não é uma produção de qualidade. Esta combina vários componentes:

  • Literatura: muitas são baseadas em romances
  • Teatro: empregam os melhores actores e actrizes
  • Cinema: emprega realizadores e argumentistas de grande qualidade
  • Música: a novela serve de rampa de lançamento a muitos músicos e cantores

Assim, a novela tem muitas ligações a um conjunto apreciável de artes.

1992: arranque da televisão privada (SIC em ’92; TVI em ’93). Os primeiros anos são de conquista de audiências. Em 1995, a SIC lidera o primetime e, em 1999, é líder em todo o horário de emissão.
A liderança da SIC baseia-se em alguns pontos fortes:

  • Informação: mais arrojada e irreverente
  • Telenovelas: passa a transmitir as novelas da Globo
  • Programação em geral: dirige-se às classes populares (C1), sem preocupações eruditas

(elementos extra)

  • Revistas cor de rosa: o que faz sucesso nos media aparece nas capas de revistas; consolida-se a imagem de uma estação.

Na época de sucesso da SIC, vivia-se uma época de optimismo na actividade privada e expansão económica.

Em 1999, a TVI é parcialmente comprada pela Media Capital, o que leva à alteração da filosofia da estação (tendo esta, entretanto, perdido a sua vertente católica). Aposta-se em:

  • Informação: dirigida às classes mais baixas (C2 e D)
  • Telenovelas: aposta na ficção nacional (apoiada pela NBP)
  • Reality Shows: o Big Brother foi a grande alavanca para o sucesso da TVI.

Assim, a TVI atinge a liderança num período de crise económica, de depressão. Encaixa-se no conceito de “televisão do povo”, que nasce na era da neo-tv (conceito de Eduardo Cintra Torres).

segunda-feira, novembro 20, 2006

domingo, novembro 19, 2006

“Is there a fan in the house? The affective sencibility of fandom”, Laurence Grossberg (texto 12 da sebenta)

Existem muitas concepções acerca de fãs. Como defini-los, então? Uma das respostas poderá ser considerar aquilo de que os fãs são fãs; isto levaria a outra questão: o que torna popular a cultura popular?
A resposta mais óbvia é a de que algo é popular pela sua popularidade, ou seja, torna-se uma questão de gostos.
Outra resposta procura caracterizar aqueles que se tornam fãs; assim, assume-se frequentemente, que a cultura popular atrai apenas os níveis mais baixos e acríticos da população, facilmente manipuláveis e passivos.
Durante algum tempo, esta ideia de fãs foi rejeitada por argumentos que dividem a audiência da cultura popular:
  • Segmento maioritário: indivíduos que consomem passivamente a cultura popular
  • Segmento minoritário: apropria-se dos produtos da cultura popular, conferindo-lhes um significado novo e original (que pode ser a expressão das suas experiências)

Assim, fãs seriam uma elite minoritária, entre a generalidade de consumidores passivos.
Há, portanto, que admitir que, na maioria dos casos, a relação entre a audiência e produtos culturais é activa e produtiva. Os indivíduos procuram conferir a tais produtos significados que lhes digam algo. Deste modo, o mesmo produto pode gerar diferentes interpretações, já que a audiência da cultura popular não é homogénea.


Tanto audiências como produtos estão em constante mudança. Assim, a relação entre ambos deve ser compreendida em contexto. Às relações entre produtos e audiências, localizadas em determinado contexto, chama-se uma “sensibilidade”.
A sensibilidade de um contexto cultural define como produtos e práticas específicas podem ser escolhidos.

A relação de um fã com produtos culturais deriva do afecto. Contudo, o afecto é uma experiência subjectiva, dividindo-se em qualidade e quantidade. O afecto direcciona os nossos interesses, possibilitando, também, que certas diferenças se tornem símbolos de identidade, em determinados contextos.
Os fãs dividem o universo cultural entre o “nós” e “eles”.


Para os fãs, contextos culturais específicos tornam-se “saturados” de afecto: nesses contextos, definem-se escalas de interesse. Estas escalas criam uma coerência de acordo com a qual o fã vive.


O fã só pode ser compreendido num contexto histórico; todos somos fãs de várias coisas. É na cultura de consumo que se faz a transição de consumidor para o fã: são conceitos diferentes.


O fã é activo, investe em determinadas práticas e recebe, como feedback, um sentimento de controlo: sente-se capaz de continuar a procurar “fazer a diferença”.

Num mundo onde o pessimismo vigora, ser-se fã é uma forma de optimismo, de paixão (ambos necessários para se lutar por melhores condições de vida).

"Shopping in the East Centre Mall", Lehtonen Turo -Kimmo (texto 11 da sebenta)

Neste capítulo é feita uma análise sobre como o East Centre Mall se tornou num sucesso, quer na utilização dada pelos consumidores para satisfazer necessidades básicas, quer como espaço que permite passar bons momentos. Isto será feito através da representação dos diferentes modos de visitar e de falar sobre este espaço.

O consumo em mudança

Quando o East Centre Mall surgiu na área do consumo em 1992 parecia ser uma combinação entre um oásis turístico e um hipermercado. É o mais importante centro comercial de Helsinki, Filândia. O acesso é facilitado (ligações com o metro e com os autocarros) e a sua estrutura divide-se em duas secções:
- The Boulevard: É a maior e mais recente parte; uma espécie de rua com arcadas e lojas em 3 andares.
- The Passage: É a parte mais antiga e mais pequena;

O facto de se tratarem de uma espécie de ruas tem a vantagem de se conseguir conhecer o espaço rapidamente e de estas “encaminharem” os consumidores.
A abertura de um centro comercial numa cidade pequena tem uma importância muito significante para a vida pública desse local. O East Centre Mall pode ser visto como a criação de um novo tipo de comércio centralizado.

  • Características apelativas

Aquando questionadas as pessoas responderam que as coisas que mais lhes agrada num centro comercial são: a facilidade, a conveniência, o preço barato e o facto de tudo estar concentrado debaixo de um mesmo tecto. As questões centrais são portanto a facilidade e a eficiência, caso estas não existissem, era impossível encarar esta actividade como entretenimento e lazer.

A área dos restaurantes cria uma tensão entre o familiar e o desconhecido.Estes permitem ao consumidores experimentar diferentes refeições e por não estarem habituados, isto causa uma certa sensação de risco. Contudo, esta é uma “aventura” controlada e que prevê um “final feliz”.

O prazer de comprar e o turismo estão intimamente ligados. Geralmente os consumidores são turistas ou agem como tal. Ir ao centro comercial é fazer uma deslocação, ou seja, ir a um local a qualquer distância e regressar. Os entrevistados admitiram preferir ir a um centro comercial a longa distância do que irem às lojas perto da residência.
Há um paradoxo em ir a um centro comercial conhecido porque sabe-se aonde este é, contudo, podemos “perder-nos” perante a quantidade de bens oferecidos.


Comprar pode ser uma oportunidade para nos divertirmos e termos o nosso próprio tempo de ondependencia e autonomia, é possível estar sozinho sem nos sentirmos sós. No entanto, também é preciso ver o acto de ir às compras como um acto social: É possível passar tempo junto de outras pessoas e em simultâneo partilhar a criação de gostos e estilos. Serve de escape às responsabilidades do dia-a-dia onde as pessoas podem relaxar juntas.
Ir às compras pode associar-se à ideia de ritual (sequencia de acções coerentes que criam e organizam a nossa experiência):

  • Muitas pessoas que trabalham junto dos shoppings passam lá grande parte da sua hora de almoço;
  • Muitas pessoas vão ao shopping quando saem do trabalho e vão a caminha de casa
  • Durante a semana a sexta-feira e o sábado, são os dias de maior afluência nas compras.


Certas áreas como os cafés são atractivas porque permitem às pessoas pararem, relaxarem e olharem à volta antes de regressarem às compras. A um nível o consumidor está sempre alerta e à espera de adquirir algo novo; a outro nível os consumidores estão muito relaxados (devido ao lado tranquilizador do anonimato). Durante a ida ao centro comercial têm-se novas ideias e isso permite fantasiar sobre nós como outros pessoas. Mais do que segurança, o centro comercial dá confiança, na medida em que permite saber que se volta satisfeito.

O grande desafio não é comprar tudo, mas sim, saber resistir.

Resumo de Aula Teórica: Públicos de Centros Comerciais

De modo a compreender os públicos de centros comerciais, há, primeiro, que compreender o que estes são. Assim, um centro comercial é uma reprodução de um espaço público num espaço privado (embora com algumas restrições, por exemplo, não se pode filmar/fotografar, ou passear o animal de estimação). Contudo, há características que lhe são específicas:
  • Temperatura ambiente
  • Não chove
  • É um local mais seguro
  • Serve de ponto de encontro

O conceito de centro comercial, como nós o entendemos, nasce nos anos ’80. Isto deveu-se à necessidade de modernizar o país, antes da entrada na então CEE (em 1986): constroem-se estradas, bem como centros comerciais. Estes começam, então, a ser construídos na periferia das cidades, funcionando como pólos dinamizadores das zonas em que se implantam. Com a proliferação do automóvel, o centro comercial é um pólo de atracção e dinamização urbana, fora do centro histórico. Assim, os centros comerciais, de certa forma, reflectem um estilo de vida: Lifestyle Center

Quando à tipologia, podemos dividir os centros comerciais em três categorias:

  • De vizinhança (conjunto limitado de lojas, junto a zonas residências antigas)
  • Comunidade (serve um núcleo relativamente maior, mais facilidades de estacionamento)
  • Regional (serve a população que vive perto e também zonas mais distantes, funcionando como centro de passagem de tráfego para o exterior da cidade)

Os centros comerciais têm, então, necessidade de conhecer os seus públicos. De modo a fazê-lo, o Centro Comercial Colombo elabora dois tipos de inquéritos por ano:

  • Mall Tracking (lançado um inquérito duas vezes por ano, a 1000 inquiridos, dentro do centro comercial; informa-se qual a porta na qual o inquérito foi colocado)
  • Geo Tracking (inquérito colocado uma vez por ano, a 5000 inquiridos, contactados aleatoriamente por telefone; vivem em concelhos-limite co centro comercial)

Estes dois tipos de inquéritos permitem saber:

  • A proveniência dos indivíduos (sobretudo, no mall tracking)
  • A frequência (quantas vezes vai)
  • Faixa etária a que pertence
  • Proveniência social
  • Meio de transporte utilizado
  • Centros comerciais concorrentes
  • O objectivo final é, essencialmente, medir o impacto das vendas, bem como desvendar a concorrência.

Quanto à tipologia dos centros comerciais, podemos referir duas, sendo estas ainda experimentais e não exclusivas.

Tipologia A – divide os públicos em:

  • Interessados
  • Racionais/equilibrados
  • Ambiciosos
  • Passeantes/sociais

Tipologia B – divide os públicos em:

  • Compulsivos
  • Esporádicos
  • “Estão na moda”

Assim, os centros comercias, bem como os hipermercados, são novos espaços, formadores de novos públicos. Os centros comerciais modernos mudam os públicos consumidores, funcionando na lógica de que um indivíduo se pode servir de tudo.

sábado, novembro 18, 2006

"The McDonaldization of society", George Ritzer (texto 10 da sebenta)

Os restaurantes McDonald’s, criados por Ray Kroc, tornaram-se um enorme sucesso, capaz de alterar o modo de vida de grande parte do mundo. No entanto, este texto não pretende explicar a fórmula do sucesso da cadeia, mas sim analisar aquilo a que o autor chama de “McDonaldization”/Macdonaldização. Este termo traduz todo um desenvolvimento social que tem ocorrido à nossa volta e que, apesar de muito atractivo, apresenta alguns perigos.

A “McDonaldização” afecta não só a área da restauração, mas também, a educação, o trabalho, o sistema de justiça criminal, a saúde, o lazer, as viagens, as dietas, a politica, a família, as religiões, entre muitos outros aspectos sociais.
Expandiu-se de tal forma, que é quase impossível ir a um local e não haver um perto. Isto teve não só uma grande influência a nível da indústria da restauração, mas também nos franchises:
  • os franchises estão a crescer rapidamente: mais de 57% dos restaurantes McDonald’s são franchises;
  • o modelo da McDonald’s foi adoptado, na indústria da restauração, em vários restaurantes de fast-food, tal como o Burger King ou a Pizza Hut. Contudo, alguns restaurantes mais conceituados também quiseram seguir o exemplo;
  • a necessidade de adoptar estes princípios surgiu, ainda, em outros tipo de negócio, tal como o toys 'r' us, que pretende ser a McDonald’s dos brinquedos;
  • o fenómeno desta cadeia de restaurantes é mundial, havendo um em quase todas as capitais. Contudo, alguns países desenvolveram as suas próprias variantes, como Paris, que tem um enorme número de croissanterias “fast-food”.

A McDonald’s não se destacou apenas na economia, mas também na cultura popular americana. A abertura de um restaurante destes, num local pequeno, pode ser um importante evento social. Estes também são simbolicamente representados em peças de televisão e em filmes, o que forneça a ideia de ser um “pedaço” da América.

A fast-food introduziu-se de tal forma na sociedade americana que está já presente em algumas empresas e universidades. Isto altera completamente o estilo de vida dos americanos: comer fast-food tornou-se uma realidade presente na vida das crianças americanas; isso afecta de forma grave os hábitos alimentares de miúdos e graúdos.
Segunda as empresas que fornecem este tipo de produtos, os hábitos alimentares devem provir de casa, para que as crianças consigam lidar com o borbadeamento de restaurantes deste tipo. Mas não é só na rua que a fast-food está presente: há cada vez mais livros que ensinam como preparar este tipo de comida em casa.
Outra prova do sucesso é a adopção do prefixo “Mc” em muitas outras empresas, como “Mc Doctors” ou “Mc Sushi”.


O McDonald’s teve sucesso devido:

  • à sua eficiência: os restaurantes oferecem um sistema eficiente capaz de levar o cliente da fome à satisfação. Num mundo cada vez mais agitado, os serviços apresentados pela McDonald’s parecem impossíveis de resistir, nomeadamente o “drive-through meal";
  • à sua calculabilidade: é a relação entre produtos vendidos e serviços oferecidos. Nestas cadeias quantidade tornou-se sinónimo de qualidade;
  • à sua previsibilidade: existem regras que permitem assegurar que os produtos e os serviços serão os mesmos em todos os locais;
  • ao seu controlo: menus limitados, poucas opções e assentos desconfortáveis fazem com que os clientes tenham uma passagem rápida pelo estabelecimento. Os empregados também têm que estar adaptados à agilidade do sistema.

O McDonald’s levou a algumas mudanças positivas, tais como:

  • mais bens e serviços disponíveis a uma maior parte da população;
  • as pessoas podem obter o que querem de forma quase instantânea;
  • alternativas mais económicas;
  • a tendência para tratar as pessoas de forma similar, independentemente da sua raça, género ou classe social;
  • entre outras…

domingo, novembro 12, 2006

“The popular culture debate and light entertainment on television”, David Lusted (texto 9 da sebenta)


Para as elites, a televisão é encarada como algo de “baixo nível cultural”. Tal ideia deve-se, sobretudo, aos programas de entretenimento light. Programas deste género, bem como a televisão em si cabem na categoria de “cultura popular” (popular culture).

Cultura Popular
A cultura popular é vista de acordo com duas grandes linhas de pensamento:
  • É considerada um género cultural inferior, moralmente ofensiva, podendo causar uma atitude passiva e ainda levar à perda de “status”, no processo de homogeneização.
  • Há um interesse genuíno em investigar a cultura popular, em particular a audiência massificada (supostamente, a sua maior consumidora).

Fala-se de cultura popular como forma de divertimento, bem como de enquadramento de grupos marginais.

Populismos e Populismo Cultural
O populismo tem, sobretudo, carácter político, embora nele se inclua, também, uma vertente cultural. Esta vertente cultural aumenta exponencialmente com o surgimento das indústrias modernas de entretenimento e dos meios de comunicação de massas. Assim, a antipatia sentida para com a cultura popular é, muitas vezes, a antipatia para com o seu populismo.
São as classes trabalhadoras quem mais aceita e consome a cultura popular.

Entretenimento televisivo light
Este inclui programas de jogos, de variedades, competições de talentos e, mais recentemente, programas de grande interacção com o público (do it yourself shows).
O entretenimento light existe desde os primórdios da televisão; contudo, já era feito antes do surgimento desta. Continua, no entanto, a reinventar-se, através do uso de novas tecnologias.
As telenovelas e programas de comédia são dois dos géneros de entretenimento light mais populares. Ambos são tendencialmente vistos por pessoas de ambos os géneros e de todas as idades, sendo o estereótipo da sua audiência a família urbana de classe trabalhadora.

Utopia e Populismo
A cultura popular apela a mecanismos afectivos. Daí surge o conceito de sensatez utópica (utopic sensitivity), ou seja, a experiência de sentimentos de abundância, energia, transparência, intensidade e mesmo de comunidade. Assim, esta sensatez utópica é como que uma fórmula de escape para um mundo diferente.

Heroísmo populista

As figuras populares são-no visto terem mais semelhanças que diferenças relativamente a todos nós. Por outro lado, estas só são populares por consentimento da generalidade dos indivíduos. Assim, o herói populista deve agir cuidadosamente, de modo a conciliar ser um dos “outros” sem esquecer aqueles de onde emergiu (um de “nós”).

A família do entretenimento light
Neste tipo de entretenimento, é feita a exploração de sentimentos da esfera privada (“o que é que sente?”). É este interesse por sentimentos que caracteriza a cultura das classes trabalhadoras. Esta cultura privilegia a palavra dita, a narrativa. Isto transparece no tipo de entretenimento que se consome, estando este carregado de emoção e sentimentos.

É, então, importante (re)pensar este tipo de entretenimento, bem como a responsabilidade que acarreta a aproximação, através dele, a grupos sociais enquanto telespectadores.

sábado, novembro 11, 2006

Resumo da Aula Teórica: a "Macdonaldização" da sociedade

Partindo do filme “Super Size Me: 30 dias de Fast Food” (de Martin Spurlock), teve início uma reflexão centrada no tema da cadeia americana McDonald’s. Este filme/documentário tem, sobretudo, o mérito de colocar o tema na agenda dos media, uma vez que pretende criticar o estilo de vida actual, sobretudo da sociedade americana.
De modo a compreender a situação actual da referida cadeia, há que conhecer as suas origens.

Origens da McDonald’s

A McDonald’s tem origem em 1937, quando os irmãos Dick e Mac McDonald abrem um restaurante em Pasadena, Califórnia. Tal restaurante possui já características tayloristas /fordistas:

  • Trabalho de linha de montagem (o cliente pede, come e arruma o tabuleiro)
  • Simplificação (em lugar de cozinheiros, contrata-se pessoal que saiba o básico de cozinha)

Em 1954, surge o primeiro franchising, em San Bernardino, Califórnia, através de parceria com Raymond (Ray) Kroc. Já em 1961, os irmãos McDonald vendem marca e restaurantes a Ray Kroc. Este parte para a internacionalização da cadeia, sendo que também cria uma universidade de “hamburguerologia”, na qual se aprendia a cozinhar, atender o cliente, gerir um restaurante, entre outras coisas.

É, portanto, desenvolvido o conceito inicial, através de diversos aspectos:

  • Atendimento rápido
  • Volumes elevados servidos
  • Baixos preços
  • Menu restrito
  • “Linha de montagem”

Na obra “The McDonaldization of Society” (2004), George Ritzer afirma que são muito positivas as novidades introduzidas. Contudo, são também mencionados alguns pontos que considera ser menos fortes:

  • “Just-in-time” / eficiência
  • Calculabilidade
  • Previsibilidade
  • Controlo
  • Estandardização
  • Homogeneidade

Estes aspectos (em particular, os quatro primeiros) não são exclusivos da McDonald’s, podendo, também, ser aplicados à actividade empresarial.

A história da McDonald’s está explicitada no site da empresa:
http://www.mcdonalds.com/corp/about/mcd_history_pg1.html

O texto 10 da sebenta (que será futuramente publicado) explora estas ideias, pelo que serve, também, de apoio a esta aula.

Actualizações

Como vêm, foram acrescentadas diversas novas entradas ao blogue, entre elas, mais resumo de aulas e de textos da sebenta. Por outro lado, fomos até Sintra para colocar inquéritos, sendo que estes estão praticamente terminados. Decidimos, então, fazer um vídeo em que são referidas tais actualizações.
E, já que é Halloween…pedimos ajuda a dois fãs… “do outro mundo”!
Aqui fica o resultado:



Nota: devido a problemas técnicos, não foi possível publicar mais cedo o vídeo filmado em Sintra. Assim, de modo a respeitar a ordem pela qual os vídeos foram filmados, foi necessário colocar o de Sintra no lugar do de Halloween, pelo que tivémos de fazer um novo post com este. Explica-se, assim, o desfazamento da data.

sábado, novembro 04, 2006

"New tecnologies and domestic consumption", Eric Hirsch (texto 8 da sebenta)

O autor centra-se na relação entre novas tecnologias e o consumo doméstico. Tal relação vai-se desenvolvendo nos últimos 200 anos, sendo que se caminha para a chamada “auto-suficiência doméstica” (domestic self-sufficiency).

Este período de 200 anos acima referido é divisível em cinco fases distintas:

  • Revolução na velocidade (1780-1850): a velocidade de produção, transporte e consumo sofre uma grande diminuição. Para tal, foram essenciais as melhorias verificadas nos transportes. Este é o período do nascimento da sociedade de consumo, em que a economia é baseada na velocidade. Por outro lado, é nesta altura que nasce uma crise de controlo, por parte dos empreendedores, que têm dificuldade em gerir produtos, consumidores e ligações que surgem entre eles.
  • Crise de controlo (1850-1880): surgem os grandes armazéns e também a comunicação telegráfica. Estes vêm dificultar o controlo do escoamento de produtos, apesar de terem, inicialmente, sido pensados para o facilitar. Procuram-se formas de obter o feedback de possíveis consumidores, de modo a melhor dirigir a publicidade (agora distribuída em massa pelos mass media). Mais tarde, o telefone (como sistema de intercomunicações) torna-se muito importante, na medida em que facilita a ligação entre as pessoas.
  • Sistema e simultaneidade (1880-1940): A fase anterior levanta, agora, uma importante questão – como integrar as diferentes partes num todo (em termos da sociedade)? Durkheim fala de anomia social, na qual as partes perdem a noção do todo; como solução, procuram-se instituições públicas (como a educação ou a religião). Paralelamente, o consumidor é também atomizado por uma série de novas tecnologias. Assim, o objectivo passa a ser integrá-lo num todo – surge a questão da simultaneidade, concretizada na emissão (broadcasting).
  • Harmonização e seus limites (1940-década de ’70): a televisão/audiovisual dá ao indivíduo, na esfera doméstica, a noção de integração social. Tal é inerente ao processo de harmonização, ligado ao boom do consumo de produtos electrónicos. A microelectrónica sofre, também, uma revolução, levando à convergência de meios num só suporte. Tais avanços levam à alteração da forma como o indivíduo/a família são encarados: surge a possibilidade de escolha .
  • Escolha e convergência (a partir dos anos ’70): o “home entertainment” vai-se desenvolvendo e consolidando, criando uma sensação de “ligação separada”. Surgem, também, novas tecnologias, entre elas o PC; estas dão ao indivíduo liberdade de escolha a nível pessoal (“private individual”). A convergência de informação, comunicação e media traz novas formas de “domesticidade”, baseadas, sobretudo, na escolha individual.

Como forma de estudar a ligação do indivíduo com a diversidade de novas oportunidades no que concerne inovações tecnológicas no contexto doméstico, o autor levou a cabo um estudo de caso, em finais dos anos ’80. A partir deste, conclui que a novidade e o já estabelecido não se anulam – coexistem. Tal ideia é válida relativamente à domesticidade e formas de consumo com esta relacionadas.